O instante eterno do menino que voltou a ser príncipe

Diz o professor Clóvis de Barros Filho, com a sabedoria de quem decifra a alma humana, que a felicidade não é uma linha de chegada ou um porto seguro no futuro. Para ele, ser feliz é um instante — aquele pedaço de tempo tão perfeito que você não aceitaria trocar por nenhum outro lugar do mundo. É a ausência absoluta do desejo de que o relógio avance. É quando a vida, em um sopro de generosidade, se basta por si mesma.

Para o santista, essa definição filosófica ganhou carne, osso e a magia do pé esquerdo de Neymar na última noite, na Vila Belmiro. O torcedor, que sangra com os erros de gestão e crise dentro de campo com a escassez do futebol, pareceu Ulisses em sua odisseia no retorno da Guerra de Tróia, que navegou por anos em mares revoltos, enfrentando monstros e tempestades que testaram sua fé.

Quando seu filho mais ilustre ajeitou o corpo e tocou por cobertura, o tempo não apenas desacelerou; ele se ajoelhou diante da história. Naquela fração de segundos em que a bola flutuava, desenhando um arco de esperança no céu santista, o torcedor compreendeu que a felicidade não estava no fim da jornada, mas na beleza do percurso.

Naquele voo, as cicatrizes das vergonhas recentes e a angustiante tabela de classificação tornaram-se ruídos irrelevantes. O que pulsava era apenas aquela suspensão da realidade que transmutou o Alçapão em um santuário de presente puro. Havia um romantismo quase sagrado no ar enquanto a rede ainda não balançava. Era o ápice da potência humana: um momento tão valioso que o desejo secreto de cada alma na arquibancada era que aquela bola permanecesse ali, pairando eternamente no vácuo, desafiando a gravidade e suspendendo o destino.

Foi o beijo da estética de um príncipe que, em sua luta heróica para protagonizar seu último grande ato na Copa de 2026, curou a alma cansada de quem tanto esperou. Naquele lance, o Santos não apenas balançou a rede; ele lembrou aos seus filhos que Ítaca — o destino final da glória — é apenas um pretexto para a viagem. A verdadeira recompensa foi o privilégio de estar ali, testemunhando a prova definitiva de que a vida, por mais dura que se apresente, sempre reserva instantes de beleza que justificam cada légua navegada.

Por Newton Pereira

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